Restaurante Parreirinha (Rua General Jardim, 284. Tels.: 259-6887 e 259-6838.
Vila Buarque. Entre Rego Freitas e Amaral
Gurgel. Estacionamento em frente.) Após
operação plástica e mudança para novo
endereço, Parreirinha, amigão de boêmias
noitadas festeja agora 50 anos de idade.
Não querendo ser indiscreto, a casa esconde
alguns anos de vida, pois de fato nasceu na
Praça da República (mais ou menos no local
da Joalheria Stern atual) em 1923, com outra
identidade. Chamava-se então, apropriadam-
ente, "Café da Mocidade", criação de Alberto Dias Coelho, saudoso pai de Waldomiro e Waldemar, gêmeos e continuadores em
sucesso hereditário. Da Praça da República para a Rua Conselheiro Nébias, 72, levaram cinco anos e deixaram o antigo nome,
inspiração portuguesa em vindimas, Parreirinha
nasceu para ficar. Os preços então não eram ainda indicados em cruzeiros, feijoada
completa custava três mil réis, refeição
comercial (sopa, prato do dia, bife ou ovo,
arroz, feijão, salada, sobremesa) -dois mil e
quinhentos réis. "Carne ou camarão, tudo ao mesmo preço, não havia ainda hábito e luxo dos frutos do mar." Em 1939, com a morte do pai, filhos no Colégio Arquidiocesano, Dona Deolinda Dias Coelho teve "de segurar as pontas", associou-se ao irmão e cunhado, o Parreirinha manteve-se firme, aberto dia e noite. Na ocasião, o cardápio anunciava: "Quer comer bem, por pouco dinheiro?" No topo: "Vinhos de Meza" -Almeida, Barros
& Cia, nova sociedade, tios de Waldomiro e Waldemar, aliados à mãe. Ao lado, logo mais, começava a construção do atual City Bank, em frente, o Cine Metro passava E o Vento Levou...
GÊMEOS EM AÇÃO Ao completarem o Tiro de Guerra, Waldemar
e Waldomiro deixaram também o Arquidioce-
sano, assumiram a casa. "Sempre o mesmo
sucesso, de madrugada à madrugada".
Terças e sextas-feiras, à noite, já serviam fei-
joada, especialidade dos dias seguintes. "O
que fazemos ainda". Em 1953, outro cardápio:
"Especialidade em petisqueiras a toda hora,
quentes e frios a domicílio. Minutas a toda
hora do dia e da noite. Especialidade em vinhos
de mesa, finos, nacionais e estrangeiros".
Preços de então: Bife à milaneza com batatas
-36,00 Filé mignon à moda da casa -45,00.
Vinho Dão -60,00.
Chianti -55,00.
Bordeaux -90,00. Grand Jó -60,00.
Quando a casa pegou fogo, bicheiros perderam
dinheiro, "pois foi batata, deu o número do
telefone da casa, 42504". Em 1965, mudança
para a Av. Ipiranga, também ao lado do City
Bank, juntinho à São João, 13 anos recheado
de celebridades que agora descobrem, com
entusiasmo, o novo endereço. A casa sempre
somou celebridades populares, jogadores de
futebol, donos de outras casas, músicos, baila-
rinas, artistas, garçons, donos de boates, choferes
de tâxi. Muita gente ainda se lembra: "Foi
o reduto do primeiro cronista da noite, Egas
Moniz". Pianista do Brahma, Aldovrando de
Castro, popular Dudu, traz de volta artistas
que acompanhou: Angela Maria, Sílvio Caldas,
Jamelão, Paulinho da Viola. "0 pintor Clovis
Graciano", conta um garçon, "pedia Spaghetti
à cavalo". Presenças marcantes? Sarita Montiel,
Sérgio Milliet, Abilio Pereira de Almeida. E,
principalmente, com emoção: Cacilda Becker.
"E o mundo inteiro". Bem verdade, o Parreirinha
sempre foi soma de todas as gentes.
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UMA PARREIRINHA BROTANDO A casa agora inaugurada poderia surpreender
antiga freguesia. Em primeiro lugar, a muda é
viçosa, plena exuberância. Cuidados de jardinagem, Júlio e Alberto, também da família. Lambris, marrom-café, cantoneiras metalizadas no acabamento,
colunas, azulejos portugueses, bons, sobre o bar e fundos, onde um parreiral artificial justifica o nome da casa, como se precisasse. Enorme salão em L, toalhas e guardanapos em amarelo-dourado, cadeiras de alto espaldar, estilizadas. Tudo limpíssimo, luzes claras,
lampadários em aço com mangas nebulosas
em profusão. Exposição dos produtos em
vitrinas, frigoríficos em aço inoxidável,
cozinha à vista. Em contraposição ao passado,
toaletes esplendorosas, azulejos portugueses,
higiene a toda prova. Cardápios, como
sempre, exaustivamente apetitosos. E para
apreciadores de rãs, uma festa, no bom padrão do lugar. Ecólogos nada devem temer, pois a casa cuida
tão somente de rãs exóticas, também conheci-
das como rãs americanas, de ranários especia-
lizados, importante realização de Luis Paduan,
do Padock. Rãs à dorê, saltadas, ou à
milanesa com arroz à grega, ou à provençal,
ainda à baiana -Cr$ 180,00, dependendo do
tamanho, de quatro a seis por pessoa, porção
mais do que satisfatória. Outras especialidades: Peixada à Parreirinha
(para duas ou três pessoas) -Cr$ 200,00 com camarões e lulas. Risoto de frutos do mar, com polvo e marisco, duas pessoas
-Cr$ 160,00. Lagosta com creme e salada de batatas, duas pessoas -Cr$ 350,00. O
cardâpio à portuguesa, porém, excede em
outras generosidades, pratos antigos, atualmente
raros. Músculo com legumes ou à
siciliana - Cr$ 80,00. Lingua com purê
-Cr$ 85,00. Miolos, à dorê ou à milanesa
-Cr$ 60,00. Carne assada ao molho
-Cr$ 70,00. Codornas à Francesa (para
comer com a mão) - Cr$ 90,00. Fígado à
lisboeta -Cr$ 80,00, à veneziana com arroz
-Cr$ 70,00. Fritada de bacalhau -Cr$ 160,00.
Ótimas sopas, destaque para Caldo de feijão
com massa -Cr$ 50,00. Canja especial
-Cr$ 55,00, Caldo Verde -Cr$ 60,00. Filés,
de todos os tipos, à Parreirinha -Cr$ 180,00.
Frango ao molho pardo -Cr$ 70,00. Miúdos
-Cr$ 60,00. Camarão, de Cr$ 150,00 a
Cr$ 220,00. Posta de peixe à brasileira
-Cr$ 160,00. Pescada grelhada -Cr$ 60,00.
Lulas à espanhola - Cr$ 160,00. Bacalhau à
Gomes de Sâ -Cr$ 180,00, à Parreirinha
-Cr$170,00. Além de polvos e lulas, em
várias apresentações. No dia-a-dia, pratos especiais: terça-feira,
Dobradinha à moda do Porto com arroz
-Cr$ 80,00, quinta-feira, Frango à cabidela
-Cr$ 70,00, sexta-feira, Bacalhau ao forno,
duas pessoas- Cr$ 150,00, Peixada para
dois -Cr$ 150,00. Terças-feiras e sextas-
feiras, à noite, além de quartas e sâbados,
Feijoada à Parreirinha, para duas pessoas
-Cr$ 150,00. Especial Rabada à Vizeu, segundo Restaurante Tavares, com batatas ao molho ferrugem, agrião ao natural, polenta.
Na cozinha, os próprios donos na direção,
chefes do dia, Joel Cardoso (10 anos de
casa), ligando almoço ao jantar, Sebastião
Januârio, à noite, até fechar (se é que fecha),
Sebastião Dias (20 anos de casa), aprendeu
tudo com o mais tradicional "chef", Antonio
de Almeida, atualmente com 80 anos de
idade, ensinou a todos, mas comparece
diariamente para comprovar ensinamentos,
aprovar escolhidos. "Antonio almoça e janta
aqui todos os dias, britânicamente ao meio-dia
e às 20 h." Fácil constatar, casa comprova-
damente boa, sucesso contínuo, a ser visitada.
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