SÃO PAULO PÁTIO DO COLÉGIO
Uma história ilustrada a bico de pena
Autor: Terciano Torres
Prefácio: Maria Aparecida T. Lomonaco
Editora Globo - São Paulo - 2004
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  Após um longo percurso, a rústica aldeia de taipa de pilão exibe vértebras de concreto e aço. Os números da terceira maior cidade do planeta são espantosos. Em 2001, quando o tradicional restaurante português Parreirinha fechava as portas depois de 74 anos, a Avenida Paulista somava 411 pontos de camelôs e o sistema de metrô registrava um milhão de passageiros circulando diariamente pelos 270 quilômetros de linhas.
Em termos de espaços de lazer, a capital surpreende. As salas de cinema chegam a quase 300, a maioria em shopping centers. Em setembro de 2002, após três anos em obras, o Museu de Zoologia reabriu com exposição sobre biodiversidade. Fundado em 1893, passara por vários endereços até ser transferido para o bairro do Ipiranga, em 1939. No mês seguinte, o Cardeal Arcebispo Dom Cláudio Hummes descerrava as portas da
Catedral da Sé, comp1etamente restaurada por uma longa reforma que adicionou as 14 torres previstas no projeto original de 1912. Na Rua Maranhão, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP
  recuperou a Vila Penteado, palacete no bairro de Higienópolis e um dos mais raros representantes do estilo art nouveau da Paulicéia. Logo no início do ano seguinte era aprovada a restauração do Palácio Campos Elíseos, antiga casa do exportador de café Elias Antônio Pacheco Chaves, transformado-se em sede do governo em 1911.
Hoje, quem visita o complexo arquitetônico do Pátio do Colégio encontra o Museu Casa de Anchieta e o auditório Manuel da Nóbrega, onde são
realizados eventos culturais, a Galeria Tenerife, a Praça Ilhas Canárias, a Cripta Tibiriçá e a Biblioteca. A Capela Beato José de Anchieta guarda o fêmur e o manto do jesuíta que, há 450 anos, numa rústica aldeia de taipa, lançava as sementes da atual megalópole.
Centro de cultura, riqueza e geração de tecnologia e ao mesmo tempo repleta de problemas, a cidade que é um mundo vê acentuarem-se os contrastes e as diferenças, a fragmentação, a desigualdade, a violência e o crime. Mas, a exemplo de épocas anteriores, São Paulo enfrenta a crise e reconstrói seu tecido social, buscando na contrapartida da requalificação do centro, do
resgate da cidadania e do respeito ao meio ambiente, melhorar a qualidade de vida de quem nunca duvidou de sua generosidade nem de sua grandeza.
 

APRESENTAÇÃO
Baseado em documentos iconográficos como mapas, desenhos, pinturas e fotografias, desde 1994 Terciano Torres, recifense que vive em São Luís, passou a registrar a evolução das principais cidades brasileiras, começando pela própria capital maranhense.
Valendo-se ao mesmo tempo de pesquisas em diferentes fontes e de consultorias com arqueólogos e outros especialistas, Terciano, formado em Design pela Universidade Federal do Maranhão, interliga os contextos históricos, culturais e sócio-econômicos dos centros urbanos, que recria num delicado bico-de-pena a nanquim. Feitas sobre papel-arroz, no formato 1,00m x 1,20m, por meio da técnica conhecida como macrografia, suas ilustrações alcançam um incrível nível de detalhes dos elementos que compõem as cenas retratadas.
Para representar São Paulo, o autor escolheu o Pátio do Colégio, ponto de onde a cidade brotou. Em torno do núcleo jesuítico, com cenários em constante mutação, personagens emblemáticos do porte de um Santos Dumont, Villa-Lobos, Ramos de Azevedo e Henfil capturam o olhar e encantam a irnaginação. Mas tampouco faltam os tipos populares, estrangeiros e imigrantes que ajudaram a construir a metrópole, moldando seus hábitos e costumes ao longo dos séculos.
No cotidiano, vestuário, meios de transporte e de comunicação, na arquitetura, vida artística e cultural da cidade eles marcam sua presença, sempre captada com leveza e pelo risco de Terciano.
Apresentados em ordem cronológica, da catequização dos índios à independência, da mão-de-obra escrava à abolição e à chegada dos imigrantes, os desenhos fazen muito mais do que retratar aspectos importantes da Paulicéia. Com humor e criatividade, eles convidam a um passeio pelo vilarejo de casas de taipa que foi rapidamente se transformando na megalópole cosmopolita do terceiro milênio
Numa viagem visual enriquecida com textos saborosos que dialogam com as imagens, o leitor encontrará uma maneira instrutiva e original de conhecer a melhor parte da história de São Paulo.

Os Editores

AGRADECIMENTOS
Agradecemos a Editora Globo por nos conceder a autorização para a publicação deste material.