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O "Parreirinha" (inspiração portuguesa em vindimas) nasceu
"Bar e Restaurante e Café Parreirinha" na Rua Conselheiro
Nébias, nº 72 (antigo nº 4) em 1927.
Alberto Dias Coelho, comerciante português, pai dos 
gêmeos idênticos Waldemar e Waldomiro, após ter trabalhado
no Café da Mocidade na Praça da República, adquire 
o Parreirinha em 1929 onde já estava gerenciando desde 
a fundação dois anos antes, colaborando inclusive com 
a escolha do nome da casa.
Em 1938, com o falecimento do Sr. Alberto, a viúva 
Dona Deolinda Ramos Coelho, toma frente do negócio, 
até que a partir de 1944 os gêmeos assumem em definitivo.
Waldemar ou "Mario" ou "Mare" trabalhando de dia no 
almoço e Waldomiro, o "Miro" à noite, revezavam-se na 
direção da cozinha e no atendimento da clientela.
Os dois eram tão iguais que os mais desavisados chegavam 
a pensar que quem os recebia era a mesma pessoa não 
dormindo nunca em turnos de 24 horas.
Reduto da boemia paulistana e de celebridades populares, 
o Parreirinha permaneceu na Conselheiro Nébias até 1965, 
transferindo-se para a Av. Ipiranga próximo ao cruzamento 
com a Av. São João, ali ficando até 1978, quando se 
instalou na Rua General Jardim trabalhando até o domingo 
de Carnaval (26/02) de 2001.
Nos três endereços, algumas curiosidades e peculiaridades:
Na Conselheiro Nébias tinha à sua frente a bomba de 
gasolina Esso do Sr. Gabriel dos Santos que por sua vez 
fazia frente ao Cine Metro da Av. São João.
Neste endereço houve um incêndio grave em 1939, 
fazendo com que a casa tivesse que ser totalmente reconstruída. 
Desgraça de uns, alegria de outros, 
a vizinhança e alguns fregueses acertaram a milhar do 
telefone 342504 que pertencia ao Parreirinha.
No ano de 1953, Paulo Vanzolin criou Ronda, gravada pela 
primeira vez por Inezita Barroso que viria ser uma presença 
marcante na vida do Restaurante.
Márcia regravou Ronda, na versão que viria a ser mais 
conhecida, em frente ao Restaurante e quando Caetano 
cantou Sampa, o Parreirinha já era tradição no famoso 
cruzamento da Ipiranga com a São João.
A boemia continuava a marcar ponto nas noites garoentas 
da cidade.
Já na General Jardim, onde permaneceu por 23 anos, 
manteve a tradição de bem servir. O Parreirinha 
acompanhou principalmente neste terceiro endereço,
com galhardia e muita luta as modificações de um Centrão. 
São Paulo pujante, vigoroso, charmoso, seguro, 
para tempos de violência, desleixo total no trato de regiões 
que ficaram entregues a um destino nada favorável.
De madrugada a madrugada, durante seus 74 anos de existência, 
servindo eclética clientela, tendo em seu cardápio pratos 
portugueses, raridades como mocotó, dobradinha, fígado, 
língua, rim, galinha caipira, saborosa e farta feijoada, 
dedicando-se no preparo de frutos do mar e as tradicionais 
e pioneiras rãs.
Servidas de formas variadas e apetitosas, as rãs ficavam 
expostas em conjunto com peixes e frutos do mar, 
arranjados de maneiras graciosas, originais e curiosas, 
dando uma beleza típica ao tão conhecido freezer vitrine 
do Parreirinha.
Como sobremesa, o exclusivo "Mineiro com Bota", uma 
omelete recheada com banana, goiabada, queijo, canela, 
servido flambado.
Mare e Miro, após 57 anos de balcão, casados com 
o Restaurante, corinthianos convictos, trabalhando 
diuturnamente juntamente com suas tradicionais equipes 
de garçons, cozinheiros, copas, porteiros, sempre a iluminarem 
como um farol, sendo um porto seguro e amigo nos dias e noites 
da cidade, pararam para um merecido descanso.
Ficam na memória e na saudade de todos os que lá passaram 
para matar sua fome, sua sede ou simplesmente sua solidão.
A elaboração deste site tem por objetivo preservar a memória do
Parreirinha e homenagear estes dois batalhadores que com tantas 
adversidades conseguiram trazer para um novo século as 
histórias de uma São Paulo dos bons e saudosos tempos.
Coopere contando a "sua" história em que o Parreirinha fez parte.
Os gêmeos irão contar muitas e elas aparecerão desde 
o lançamento do endereço e serão completadas freqüentemente. 
Esperamos que as pessoas, as particularidades, os pratos 
preferidos e principalmente as histórias, sejam lembradas aqui.
Sua participação valorizará muito esta merecida homenagem.
 
 
  Almeidinha, Miro e João Pacheco - 1952
 
  Na Rua Conselheiro Nébias - 1952
 
 
  Outra da Rua Conselheiro Nébias - 1952
 
 
  Waldemar no posto de gasolina frente ao
Parreirinha da Rua Conselheiro Nébias
(Veja ao fundo o tradicional Cine Metro na Avenida São João) - 1965
 
 
  Aldovrando de Castro (Mestre Duda) e colaboradores no Parreirinha da Avenida Ipiranga: Xixa, Jamelão, Nelson Pinto, Miguel, Zezé
 
 
  Alberto Gama, Miro, Cristina Gama, Mare, Sr. Julio, Dona Loló, Dona Deolinda, Dona Rosinda na inauguração do Restaurante Parreirinha da Rua General Jardim em 1978 - Família Parreirinha.
 
 
  Fachada do Restaurante Parreirinha da Rua General Jardim
   
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