Se você lembra de alguma história do Parreirinha, que gostaria de contar,
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Uma "indiscreta"do Jamelão
MIRO: quem é quem na década de 60 em São Paulo?
MARE: o bom humor silencioso
Aquele antigo colaborador "Francês"...História 1:
Aquele antigo colaborador "Francês"...História 2:
Aquele antigo colaborador "Francês"...História 3:
Aquele antigo colaborador "Francês"...História 4:
LIMA DUARTE e Dr. Assis Chateaubriant

LIMA DUARTE e a festa na Fazenda Empyreô

Uma de Aracy de Almeida - por Arley Pereira
PARREIRINHA DELIVERY - por Kiko Mazziotti
 

Uma "indiscreta"do Jamelão

JAMELÃO: entrando no Parreirinha, corpo curvado, andar cadenciado, os inseparáveis chapéu e elástico nas mãos:
- Miro!!! Tô na área.
Sentado na "mesa da Diretoria"(a de nº1), próximo ao caixa, sempre com olhar de poucos amigos, introspectivo, cochilando, só conversando com quem, quando e sobre o que quiser.
Mesmo na alta madrugada, raramente, mas às vezes acontecia aqueles pedidos de "canja" por algum fã mais afoito e incauto. Jamelão fecha a cara "naturalmente", o fã se afasta pois não dá para cantar dormitando.
Logo após vem a célebre frase.
- Miro, quem canta de graça é passarinho !!!

 
MIRO: quem é quem na década de 60 em São Paulo?

"CHÊ" Guevara veio receber do Presidente Jânio Quadros honraria por ser Ministro do Trabalho de Cuba.
Como ninguém é de ferro e sem a farda revolucionária e muito menos a boina, aproveitou para esticar na noite de São Paulo. Tomando um whisky e tirando baforadas de seu charuto apreciava as delícias do Avenida Danças.
Em mesa ao lado, também a divertir-se alguém bem conhecido das noites paulistanas. Os amigos alertaram:
-Miro!!! Este barbudo aí ao seu lado é o "homem", Miro!!!
Resposta rápida e em bom som:
- E daí !!! eu sou o Miro do Parreirinha.

 
MARE: o bom humor silencioso

Mare, gêmeo do dia, sempre mais calado contrastando com o notívago Miro. Nem por isso deixava de ter suas "tiradinhas".
O restaurante estava sendo repintado. Mare com uma cartela de cores no bolso traseiro, atendia a clientela do almoço.
Sr. Araújo, velho freguês, chama Mare e solicita:
- Mare, lembra de deixar a carne daquela corzinha, né.
Rápido, Mare puxa a cartela de côres de tinta e sai com esta:
- Sr. Araújo, escolhe aí para eu pedir ao cozinheiro...

 
Aquele antigo colaborador "Francês"...História 1:

Retira do famoso refrigerador um namorado maravilhoso, devidamente pousado em uma bandeja de inox toda enfeitada, porém com um pouco de líquido de refrigeração. Atravessa garbosamente o restaurante e resolve dar uma "paradinha" para mostrar ao patrício que estava com madame o quanto o peixe era bonito e fresco. Sentado na mesa 4, o casal elegantemente vestido, olhou com simpatia a aproximação do orgulhoso garçom. Ao dar a "rápida paradinha" com a bandeja ao nível dos olhos dos expectadores maravilhados, o namorado, "vivo" de tão fresco, deslocou-se rapidamente ao que foi abraçado carinhosamente pelo patrício, com uma defesa digna dos bons goleiros lusos. "Sêo Miro, durma de dia, com um barulho destes para resolver", como diria Dona Dulce.

 
Aquele antigo colaborador "Francês"...História 2:

Ao acabar o turno e ir pegar o carro para ir descansar após madrugada brava no Parreirinha da Ipiranga, o astuto garçom, nota que estão mexendo em seu veículo estacionado na mesma Ipiranga, porém um quarteirão antes do restaurante. Mostra-se prestativo, perguntando se necessitam de "ajuda", pois os meliantes (2), aparentemente mostravam dificuldades para fazer a ligação direta, etc., os meliantes aceitam a cooperação do disposto garçom e passam a empurrar o veículo pela Ipiranga para tentar pegar no "tranco". Ao chegar em frente ao restaurante os colegas do garçom que também saiam no momento, observam a cena inédita, o dono ajudando os ladrões a roubar seu carro. A um alerta do garçom, todos caíram de porrada em cima dos larápios. HAJA "ASTÚCIA" EM SR. MARE!!!

 
Aquele antigo colaborador "Francês"...História 3:

Inúmeras vezes, ao atender ao telefone e por não estar ouvindo bem o interlocutor, ou por notar ruídos estranhos no aparelho, o colaborador dizia ao telefone "um momento, deixe-me tentar desentupir o aparelho", rapidamente batia na palma da mão o "indefeso" fone. O Arley Pereira poderá confirmar.

 
Aquele antigo colaborador "Francês"...História 4:

Alta madrugada, General Jardim, Dr. Wilson e esposa conversam com o Miro na mesa 1 (da Diretoria), de repente, surgindo não se sabe de onde, adentra pelo restaurante o astuto garçom, de BICICLETA. A cena lembrou Dom Quixote procurando os moinhos, porém com a mesma habilidade do herói espanhol o colega "Francês" veio a se estatelar, para não dizer "BICICLETAR" por cima da esposa do apavorado amigo do Miro.

Será que o Mare e o Miro aguentariam sem passar por um merecido descanso?

 

LIMA DUARTE e Dr. Assis Chateaubriant

Levando a rolha ou pedindo sempre um bom vinho português que permanecia guardado para saborear em várias madrugadas, contava ao Miro como o jovem Aricrenes chegou de carona em um caminhão de mangas vindo das Minas Gerais e desembarcou no Mercado da Cantareira. Daí o início na televisão como ajudante de iluminação, depois sonoplasta, etc, etc, e a carreira que todos conhecem. Antes mesmo de Fernando Morais publicar o "Chatô", Miro e Carlos Sacchi, ouviram do Lima a sua intimidade e seu trabalho carinhoso com Dr. Assis Chateaubriant - "Eu lia os olhos e falava por ele". Dedicado amigo ao cooperar no tratamento do Dr. Assis após o derrame e da ausência da fala tão brilhante.

 

LIMA DUARTE e a festa na Fazenda Empyreô

Após saber que Carlos Sacchi era de Leme-SP, Lima discorre sobre a tão famosa festa na Fazenda Empyreô, que Lima dá força no "Ô". Sacchi sabia dessa história contada pelo Tio Ruy Rocha e também por sua mãe Nadir. Lima esteve presente quando Dona Yolanda Penteado Matarazzo, esposa do Conde Francisco, organizou uma festa para comemorar o 4º centenário (1954) de São Paulo na famosa fazenda, que atualmente pertence ao Senador Pedro Piva. O deslocamento de São Paulo para Leme foi feito de trem, através da ainda Maria Fumaça da Estrada de Ferro Paulista. A cidade inteira (que não era tão grande) parou para recepcionar a chegada na estação de artistas como: Clark Gable, Errol Flyn, Rita Hayworth, e outros tantos famosos. Após um dia inteiro regado a caipirinhas e outras iguarias que acompanhavam uma deliciosa feijoada, é relatado o estado complicado do retorno dos artistas para São Paulo, enfrentando a sacolejante viagem. Diz-se que este vagão da paulista "luxo", deve ter sido abandonado após o evento.

 

Uma de Aracy de Almeida - por Arley Pereira

Dentre mil histórias, vale lembrar a Aracy de Almeida pedindo jantar pelo telefone, a ser entregue no hotel. Depois de listar os acepipes, recomendou; "Miro, manda pão tambem, mas escolhe um que não tenha sido muito cumprimentado." No linguajar da nosssa Araca ela não queria pãozinho que já tivesse ido à mesa e sido apalpado por alguém...

 

PARREIRINHA DELIVERY - por Kiko Mazziotti

Naquela noite, cheguei ao Parreirinha ávido de amizade, de um copo de whisky e de uma porção de rãs.

Fui sentando em minha mesa habitual, ao que o Miro já trouxe uma garrafinha de água sem gás e os jornais Corriere Della Sera e Gazzetta dell'Sporto para que eu pudesse "praticar" meu italiano.

O Parreirinha é o único restaurante conhecido que recebe jornais de muitas partes do mundo (Itália, França, Portugal, Espanha, Argentina e de vários cantos do Brasil).

Enquanto saboreava Red Label e notícias de jogadores brasileiros na Itália, ouvi o telefone tocar e o Miro atender:
- Parreirinha, boa noite... Sim, entregamos... Nosso cardápio inclui peixes, frutos de mar, rãs...
Do outro lado da linha, suponho que o cliente perguntou:
- Quantas rãs vêm em uma porção ?
Ao que o Miro, com paciência, respondeu:
- A porção é composta por duas rãs...
O cliente insistiu:
- Além das rãs, o que mais vem ???
E o Miro, já sem nenhuma paciência, disse:
- Além das rãs, vai a embalagem pra viagem...