RÃS • O GRANDE SALTO
Entre os festivais que acontecem pelo
Brasil, o mais exótico talvez seja o
promovido por um restaurante da
capital paulista.
Este ano participaram Eliana Pittman, Agostinho dos Santos, Ángela Maria, Adoniran Barbosa, Sílvio Caldas e Martinho da Vila. (Em 1971, Johnny Mathis esteve lá.). Neste certame eles não cantam; foram ao Parreirinha
participar do III Festival da Rã.
Há 16 anos o restaurante criou fama de servir as mais saborosas especiali- dades culinárias, tendo como base a rã. Os pratos eram uma preferência quase exclusiva dos fregueses noturnos. Com o tempo, o hâbito foi sendo adquirido pelo pessoal que trabalhava
nas proximidades das avenidas Ipiranga e São João. Depois vieram os curiosos, atraídos pelas engraçadas formas expo- stas nas vitrinas do restaurante. E muitos já acham que falta pouco para a rã se tomar um prato popular.


 
TRADIÇÃO SEM SEGREDO
Alberto Dias Coelho, já falecido criou o
Parreirinha há aproximadamente 45 anos. 
A especialidade era apenas comida do mar, e até hoje suas peixadas são famosas. Foi ele quem, quase 30 anos depois, iniciou a tradição das rãs nos restaurantes paulistanos. Seus dois filhos, Waldemar e Waldomiro, mais os sócios Alvaro Teixe- ira e Nélson Pinto, continuam trabalhando
para manter o bom sabor de cinco pratos em que a rã é a vedete. Waldomiro não faz segredo no preparo das rãs. "Uso ape- nas o sal como tempero fundamental. Nada mais, pois do contrário o gosto específico da carne se perderia entre vinagre e pimenta.” O restaurante serve a rã à doré, com batata souté; à milanesa, com arroz; à provençal; meio à baiana ou
frita, com batata souté.
Para acompanhar, recomendase um bom vinho branco. A especialidade mais procurada é à doré, dizem os garçons Pinheiro, Emidio, Pacheco e seus colegas. E são tão saborosas quando preparadas por Benedito, Geraldo, Joel ou Sebastião, os mestres-cucas. Para repetir o prato em
casa, não há muito segredo. As rãs, você as encontra no CEAGESP, antigo CEASA, que recebe mensalmente mais de 500 dúzias. Vêm principalmente do Norte do país. A rã-pimenta é a mais comercializada atualmente. Ao comprá-la, ela está ainda viva (geralmente)
Corta-se a cabeça. Em seguida, puxa-se a pele, que sairá inteira, como se estivesse apenas colada ao corpo. Depois, o processo
para limpeza deve ser idêntico ao de um frango. Retira-se a barrigada e pronto.
Aí é só preparar ao gosto.
 
O CRUZEIRO, 20/12/1972 Texto de BENI LIMA PEREIRA. Fotos de EDUARDO ROBERTO