ARTISTAS E BARES TÊM UMA RELAÇÃO DE CARINHO
QUE NÃO ACABA NO ÚLTIMO COPO
Há clientes fiéis, que deixam sua marca
no local que freqüentam. É o caso do
cantor e compositor Adoniram Barbosa,
que foi cliente assíduo do restaurante
Parreirinha, no Centro de São Paulo.
O proprietário, Waldemar Dias Coelho,
fala dele com saudade.
Hoje, a mesa 34 é uma das atrações do restaurante, que tem clientes como o humorista Ronald Golias, o cantor Luís Vieira, o músico Paulinho da Viola.
O Parreirinha é desses restaurantes que ficam abertos a madrugada inteira. A noite, Waldemar passa o comando ao seu irmão gêmeo, Waldomiro. É ele que atende a cantora e apresentadora de televisão Inezita Barroso, uma freguesa cativa, que tem horário habitual de chegada às 23 horas. O garçom Fernan- do, um simpático português do Porto, já sabe o que servir: uma dose de uísque suave, uma garrafa de água mineral e uma cerveja sem gelo. Isso mesmo, sem gelo. "Não posso beber gelado, porque minha voz é sensível.
Como gravo programas de rádio, dou aulas sobre folclore em algumas faculda- des e ainda apresento o Viola, Minha Viola (programa da TV Cultura), uso muito a voz e preciso cuidar bem dela."
Inezita tem uma fidelidade de mais de 30 anos ao Parreirinha. Tanto que Waldo- miro fez uma placa com o nome dela, para ser colocada em sua mesa todas as noites.
 
Inezita Barroso virou até personagem de menu.
 
No Parreirinha, Adoniran Barbosa é freguês póstumo.
"Eu também coloquei no cardápio a rã à Inezita Barroso", conta. Trata-se de um prato saboroso: rã
grelhada e temperada apenas com sal e alho. É um dos grandes sucessos da casa. A amizade entre
Inezita e os donos do Parreirinha é tão grande que no dia do seu aniversário eles prepararam uma
surpresa e serviram cabrito. "Eles não deixaram que eu escolhesse o prato. Fizeram uma festa e con-
vidaram os meus amigos." O garçom Fernando, que sempre serve Inezita, é um fã da cantora, mas
nunca foi acompanhar as gravações, que coincidem com seu horário de trabalho. "Tenho 36 anos de casa e não gosto de faltar.”
MAURO SILVEIRA
REVISTA MANCHETE 23/04/1994